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25 anosDepois dos dezoito anos, sofremos a saudade da adolescência; os mais velhos até construíram um ditado: na adolescência, queremos a maioridade, na maioridade, ficamos saudosos dos tempos pueris.

Tenho saudades do tempo em que até mesmo estudar, minha “única responsabilidade”, era divertido. Vez por outra, pego-me numa auto-conversa: bons tempos aqueles em que a ordem era brincar. Mas a vida passa, o tempo não perdoa. “É a vida, é bonita e é bonita”.

Aniversariar é despedir-se. Parafraseando Drummond, sábio foi quem dividiu o tempo e criou o calendário, assim ele fica mais apresentável. Das fases que nos despedimos, os anos de vida, resta-nos um espólio feito de lembranças do que passou e das expectativas no que fora adquirido, do novo. É incrível como cabe tanta coisa dentro de um ano. Como orou o salmista bíblico, também suplico: Senhor, ensina-me a contar os meus dias.

Aniversariar é chegar e partir. Quantos caminhos percorridos, quanta vida já aconteceu, quantos abraços, beijos, conquistas e perdas; quanta gente chegou, quanta gente partiu. “A vida não para, é rara, tão rara”, bem diz o poeta pernambucano.

Faz 25 anos que cheguei a esse mundo (os mais detalhistas dirão 25 anos e 9 meses). Alguns dirão que estou na idade em que não é mais possível ganhar tempo, que comecei a perdê-lo, é bom que eu acerte mais do que erre etc. Mas como a morte não me é um problema a ser resolvido, mas uma consequência do viver (tudo que está vivo deve morrer para que haja evolução), uma dádiva dos céus, reflexo da condição humana, precária e falível desse ser vivo que sou, resisto à ideia de que, em qualquer idade ou fase da vida, qualquer um de nós começou ou começará a perder tempo. Enquanto houver vida, haverá possibilidades, muito a se fazer (e a deixar de fazer também); portanto, façamos, “pois enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso, faço hora, vou na valsa”.

Posto isto, celebro meu ano novo particular com o coração grato: aos meus pais e familiares, pelo afeto, investimento, educação e, sobretudo, por jamais desacreditarem de mim, incentivando-me a tentar, celebrando comigo quando das conquistas e ajudando-me a aprender com os erros e fracassos; aos meus amores que se foram e aos que virão, pois o amor é frágil, eterno enquanto dura, mas que, convertido em história, incentiva-nos a querer amar sempre mais, pois é um belo sentido pra vida; aos meus amigos, pela camaradagem, pelo abraço, pelas boas risadas, pelas boas cervejas, pelos bons petiscos, pelas boas refeições, por enxugarem minhas lágrimas, por equilibrarem minha existência, impedindo que eu me perca em mim mesmo; e ao Deus que é pai, pela vida que me possibilitou, sem jamais manipulá-la, criando-me em liberdade e amor, por seu Filho Jesus, meu Senhor e Salvador, incentivo e paradigma no qual tenho boas razões para querer ser, a cada dia mais, humano, e ao seu Espírito, que me inspira, à semelhança de Jesus, a buscar os bons caminhos da retidão, da justiça, da integridade e da caridade.

Que venham os próximos anos.

Amém.

Will

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