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28anos

Há 10 anos, tudo o que queria era que amanhã chegasse logo. Dez anos depois, vivo um misto de sentimentos: a saudade do que se passou e, confesso, daquilo que deixei de viver, e a expectativa do que viverei nos próximos dois anos, até que venham os 30.

Não pairava sobre os 18 anos nenhum sentimento de independência. Fui criado consciente das minhas responsabilidades para comigo e para com os outros. Adentrei na vida adulta muito cedo. Não à toa, comecei a trabalhar aos 14 anos e aos 18 (e dois meses) já estava na faculdade. Pensando em individualidades (do que diz respeito aos indivíduos), independências têm limites, o mais nobre deles: o outro.

Ao contrário da maioria das pessoas, a maioridade chegou pra mim bem antes dos 18 anos. Não no sentido legal, obviamente, mas no sentido das responsabilidades. Mas isso não foi o bastante pra que eu não vivesse todo o simbolismo dos 18 anos. A gente quer que os 18 anos cheguem logo e depois que eles passam o coração transborda saudosismo.

Minha relação com os 18 anos foi muito mais simbólica do que concreta, mas isso não foi o bastante para eliminar a expectativa dessa falsa onipotência, essa tal independência. A maioridade é muito mais do que se ver livre dos pais. Na verdade, a gente nunca se vê. Nem deveríamos querer isso – alguns só se dão conta disso quando eles morrem. A maioridade é, antes de qualquer coisa, um alerta: é preciso amadurecer. Por tudo o que já vi e vivi, concluo que amadurecer nada mais é do que aprender com os erros, permitindo-se a novos, tentando acertar, por óbvio.

Chego aos 28 anos com os olhos nos 30, mas nem por isso deixando de viver o hoje. O fato é que não tem jeito, já comecei a atravessar a ponte que lá me levará. Dez anos depois, sinto-me mais maduro e consciente de mim; esforço-me por discernir as coisas do meu tempo.

Dez anos atrás, pediram-me pra pensar no que seria de mim dali a Dez anos. Lembro-me de dizer, à época, que terminar a faculdade já era o bastante. O resto seria lucro. Cinco anos depois da graduação, descubro-me encantado com minha profissão (a advocacia); Seis anos depois que rompi com o movimento evangélico, percebo-me ainda mais engajado com minha comunidade de fé (a igreja Betesda da Zona Leste de sampa), aos sete meses de namoro, sinto-me feliz e cheio de planos a dois; Vinte e oito anos depois de vir ao mundo, reconheço-me ainda mais nos meus amigos e na minha família, consciente de que devo tudo o que sou (do que estou sendo) a eles.

Bendita vida!

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